23 agosto 2009

Patrocinados ou Empregados


Andei visitando alguns restaurantes que forneço saquê, e constatei uma coisa. Cadê o Chef ou cadê o Barman? A rotatividade de profissionais da área gastronômica é bem grande que daqui a pouco estão criando um passaporte para carimbar todas as casas por onde passaram. Sempre divulgado em matérias e críticas, fulano de tal, com passagem em tal lugar ou trabalhou lá e aqui, acaba fortalecendo ou queimando o filme no currículo.

Agora o que será que causa toda essa dança das cadeiras? Será que é o salário? O ambiente de trabalho? A equipe ou sócios? Em um país, onde o índice de desemprego é grande, o que será que causa tanto desconforto aos profissionais da cozinha?

Tem casas que pegam no pé de todos, e outros que não estão nem aí e do nada demitem. Já vi uma casa que demitiu um barman, só porque levou uma crítica negativa de uma conceituada revista.

Existem casos que os profissionais apenas aproveitam das oportunidades que elas oferecem, e quando uma outra negocia um salário R$ 50,00 a mais, abandonam sem mais nem menos.

Já não é raro, proprietários que vem desabafar comigo, sobre investimentos à funcionários. Um diz que investiu e bancou passagens para SP para dominar os conhecimentos sobre vinhos e saquê, durante 6 meses. Depois vira as costas e muda de restaurante. Outra casa, bancou uma viagem ao Japão, para conhecer os restaurantes japoneses. Voltou ficou 1 mês e abriu uma casa dele, no mesmo bairro.

Agora o caso inverso, são profissionais que dão o sangue pela casa, chegam antes do horário, vão embora por último e recebem apenas um monte de elogios por parte dos donos, e olhe lá. Quando a coisa começa a cair, são demitidos ouvindo "Você não está de acordo com o nosso perfil".

Culpa de quem? De todos!!

Na minha humilde opinião leiga, a seleção de Chefs de cozinha, deverá ser feito por um outro Chef, e não pelo proprietário administrativo. Um barman, ser entrevistado por um barman, e não pelo gerente. Imagine se um tesoureiro de uma empresa, contratasse um piloto de avião. Será que é qualificado para selecionar?

Então hoje, profissionais da área, mais parecem patrocinados, que empregados.

3 comentários:

Fábio Hideki Harano disse...

Olá!

Culpa de quem? Para mim, do capitalismo, da lógica de mercado que trata trabalhadores como meros objetos do tal mercado de trabalho e que resume o valor de tudo a simples cifras do capital.

Em muitos setores da sociedade verifica-se a transformação de uma relação de trabalho mais próxima do feudalismo para uma mais perto do capitalismo, da modernidade.

Vejo que isso acontece bastante, por exemplo, no Japão e no interior do Brasil. A ligação entre empregador e empregado está perdendo traços da suserania e da vassalagem, que seguem ideias de honra, juramento, fidelidade e normas que vão muito além do mero dinheiro.

Esse tipo de relação feudal, é claro, tem seus prós e contras, mas em muitos aspectos é mais humano e menos mesquinho do que a atual estrutura de trabalho.

Tchau tchau!

felipe disse...

Bom dia Alexandre, meu nome é Felipe, sou do Rio e adoro comida japonesa e a cultura como um todo, inclusive tendo me formado em Judô em uma academia muito tradicional.
Eu achei o seu blog por um acaso, quando, ao comprar um novo (pra mim é claro) tipo de sake para tomar em casa (chama-se "o voo da grande garça azul" em portugues, pelo que sei), pesquisei para saber se era um bom sake realmente.
Gostei muito das suas dicas e percebi que voce é muito preocupado com a etiqueta, inclusive encontrei a etiqueta do saque, muito legal diga-se de passagem.
Mas gostaria de saber sobre a etiqueta à mesa japonesa como um todo. Caso não seja uma coisa agressiva de perguntar (se isto realmente vai tomar uma grande quantidade de tempo), sua proxima postagem poderia ser sobre este assunto.

Grandes abraços, Felipe e parabens pelo blog, está muito interessante.

Alexandre Tatsuya Iida disse...

Obrigado pelo comentário, Felipe. Noteis nesses últimos anos, que muitos japoneses daqui do Brasil, reclamam que as pessoas não sabem comer direito (comida japonesa). Porém o que eles fazem por isso? Então como um bom descendente, tenho a obrigação de passar os costumes e a cultura. Lógico que não é uma regra, mas sempre é bom conhecer. Atendendo ao seu pedido, vou postar gradativamente alguns dos modos para apreciar uma boa comida japonesa. Abraços