24 agosto 2010

Sr.Cliente ou Sr.Amigo?



Hoje, eu vendo um tipo de serviço que ultimamente está desaparecendo. O contato humano. Em qualquer loja que você entre, são duas situações. Vendedores pulam em cima de você preocupado em atingir cotas e metas de vendas para a loja. Fazem de tudo para você comprar, dá desconto, facilita a forma de pagamento ou te serve em cafezinho. Ou há aqueles que você precisa chamar alguém para que você possa gastar o seu precioso dinheiro. De qualquer forma, sinto que as lojas estão preocupados, primeiro com o sistema da empresa, que o bem estar do cliente.


Eu, que já estou nessa caminhada de vender saquês por seis anos, fui notando que o público não só quer ser bem atendido, mas deseja ser lembrado. Seria fantástico se o vendedor dissesse: “Bom dia Sr.Paulo. Tem um saquê que vai lhe agradar e muito. No mesmo estilo que o senhor levou da vez passada.”. Porém, para criar essa atmosfera, primeiro você deve trocar o titulo de “cliente”, para “amigo”.


Hoje fui conhecer a renomada marca e empresa de chocolate, a VALRHONA, fundada na França em 1922 e possui ainda uma Ecole du Grand Chocolat, onde reúnem profissionais e aprendizes do ramo gastronomico que utilizam o chocolate.


Num pequeno e aconchegante espaço, da Alameda Lorena, 1818, na esquina com a Bela Cintra. Na porta, um perfume que te puxa para o interior, como nos desenhos animados. E logo de cara a simpática atendente, a Livia se prontifica para me atender com toda a graça e delicadeza. A primeira coisa que ela me perguntou, foi o meu nome. E partir daí, passou a me chamar pelo nome.Eu disse que amigos meus, profissionais da gastronomia me indicaram a loja. O que ela fez? Agradeceu!! Depois ela deu uma rápida explicação sobre a empresa e os chocolates sem que me enchesse. Perguntou também o meu gosto. Disse que gosto de doce, não gosto de leite, gosto de sutilezas, não gosto de coisas ácidas e nem muito amargos. Logo de cara, á me trouxe uma barrinha que tinha a certeza que eu ia adorar. Fiquei bastante surpreso pela sua abordagem, embora determinada mas charmosa, que aceitei a sugestão. Não tenho carne fraca hehehehe, mas gosto de ser bem tratado, não como um futuro-bom-cliente, mas como se já fossemos amigos. Me ofereceu também uma “régua” de degustação de vários teores de sabores dos chocolates e que poderia me ajudar na escolha para harmonizar com os saquês e shochus. Conversa vai, conversa vem, e Livia me confessou que é arquiteta. Mas estava ali, para aprender e “jogar” todo o seu conhecimento nos chocolates. Legal isso, não?


Os belíssimos e caros chocolates podem embelezar o status de quem compra. Mas é preciso a ajuda do homem, para que ele brilhe. E Livia fez isso perfeitamente e equilibrado.


Eu também procuro oferecer esse tipo de atendimento aos meus clientes. Eu preciso ensinar para que o “amigo” possa comprar.


Não queria ter umas 3 Livias na sua loja? heheheheh



4 comentários:

Dalmo Braga Junior disse...

Olá Alexandre,
Com certeza queria ter 3 Livias em nossa casa, temos uma casa pequena e buscamos sempre este tipo de atendimento a que voce se refere; E fica claro que quando identificamos o "amigo" o mesmo fica muito mais receptivo e fiel.
Belo post.
Abraços
Dalmo

Alexandre Tatsuya Iida disse...

Olá Dalmo!!
Vontade de falar "Olha, se não der certo aqui, vem trabalhar comigo?" hehehehe. Mas me contive para manter a ética. Mas eu no papel de cliente, me senti super à vontade, pois se tratando de uma loja chique, a tendência é ser tratado pela roupa que você veste e a linguagem que você fala.

Abraços!!

Bia disse...

Ale, muito bom ter esse canal para falar de uma bebida tão apreciada, porem tão pouco conhecida. E de coisas captadas por vc para dividir conosco. Pararabéns!

Alexandre Tatsuya Iida disse...

Oi Bia!
Obrigado pelo elogio. A gente tenta, né? hehehe Mas faço isso com prazer e que mais pessoas possa apreciar uma cultura complexa, de forma mastigada.

Beijos!